quinta-feira, 7 de maio de 2009

A PEDINTE


À porta da loja, ela estendia a mão a todo passante, de repente, ela entortou o pescoço e perscrutou passos diferentes. Seus longos anos de serviço, tinham-lhe apurado a audição e ela sabia reconhecer, ainda distantes, mínimas diferenças nos passantes. A sua cegueira era bem compensada. Sabia se iam ou não depositar a esmola apenas no afrouxar dos passos, na velocidade com que se moviam e nos "fru-frus" que as mãos nos bolsos ou na carteira despertavam. Mas este era diferente. Ela sabia! Era daqueles que davam generosamente. E quando o silêncio do depósito acabou quebrado por uma quedazinha seca e almofadada, ela tinha certeza que era um emigrante que passara por ali. Apalpou e percebeu a textura de uma nota de 5 euros.

2 comentários:

  1. Estive por aqui em visita ao seu blog para conhecer o seu trabalho!! Abraços Ademar!!

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  2. Ao ler este teu conto fez-me reflectir sobre as coisas que damos e recebemos, mas que não estão à vista de todos ou, pelo menos, não fazem tanto "ruído" e passam despercebidas.
    São ofertas silenciosas, mas valiosas.
    Da mesma forma que é impossível atribuir às notas o ruído dos metais, diria que por mais que nos esforcemos em fazer ruídos com os nossos metais em nada se comparam com uma oferta silenciosa e desinteressada.

    Gostei muito da tua forma de expressão e como jogas com a estética das palavras.
    Animo-te a prosseguir com os teus contos, pois terás muito para nos fazer reflectir.
    Abraço, Karau_Timur.

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