
À porta da loja, ela estendia a mão a todo passante, de repente, ela entortou o pescoço e perscrutou passos diferentes. Seus longos anos de serviço, tinham-lhe apurado a audição e ela sabia reconhecer, ainda distantes, mínimas diferenças nos passantes. A sua cegueira era bem compensada. Sabia se iam ou não depositar a esmola apenas no afrouxar dos passos, na velocidade com que se moviam e nos "fru-frus" que as mãos nos bolsos ou na carteira despertavam. Mas este era diferente. Ela sabia! Era daqueles que davam generosamente. E quando o silêncio do depósito acabou quebrado por uma quedazinha seca e almofadada, ela tinha certeza que era um emigrante que passara por ali. Apalpou e percebeu a textura de uma nota de 5 euros.

